Sound Track

“Difícil não é lutar por aquilo que se quer, e sim desistir daquilo que mais se ama.(...) » Bob Marley

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Memorias Inesquecíveis


«Tinha chegado o dia. O bilhete comprado. As malas feitas há uma semana. A roupa espalhada em cima da cama. De casaco comprido Fushia. As botas de cano alto pretas. Vestido violeta de Malha. Meias opacas pretas. Cachecol Rosa Claro. Boina Preta. Luvas Roxas. Em cima da cabeceira, um relógio de pulso, branco. Os brincos de bijutaria barata. Um anel artesanal feito especial para ela. Uma ansiedade estranha invadia-lhe o peito. A rua estava coberta de neve. O sol parecia querer brinda-la por aquele dia, mágico, especial. A radio anunciava as onze horas, seguida da musica preferida dela. Inconscientemente mexia o corpo ao som daquelas palavras, enquanto verificava se não se esquecia de nada.
Desceu as escadas, carregada. Não gostava de elevadores. E sempre pensou: «um bocadinho de exercício nunca fez mal a ninguém...»
Dirigiu-se até a estação de comboios mais próxima. Com a sua musica sempre nos ouvidos. Sorriu ao pensar que aquela musica tinha sido a banda sonora daquele ano.Como é que há musicas que descrevem tão bem o que se sente. Sendo sempre intemporais e adequadas a qualquer altura da nossa vida... Deixou esvoaçar os pensamentos, quando se apercebeu que tinha chegado o «seu comboio». A diferença de temperatura era bastante significativa dentro da carruagem. Verificou o seu numero e sentou-se comodamente. Pegou no livro que tinha comprado na véspera. Fizera-o de propósito, precisava de algo para empatar as horas de viagem até a sua terra.
Poucos instantes deu-se inicio a sua viagem mágica. Toca o telemóvel. A M. ligou-lhe a desejar uma boa viagem, despediram-se com um beijo.E ao desligar alguém se apoderou dos seus pensamentos. Aquela pessoa que já não falava a um ano. Aquela pessoa que a fez sonhar. Que fez a sorrir. Que a fez chorar. Que a fez acreditar em amores impossíveis. Que fez com a sua vida se tenha virado do avesso. Deu-lhe uma vontade enorme de ouvir a voz dela. Uma Saudade que ela lhe ligasse. Um Desejo de a voltar a ver. De voltarem a ter o que se perdeu com o tempo... Pensou : «Como estaria ela?». « Será que ainda se lembra de mim?» « Será que ainda sente algo por mim?»« Mas porque estaria agora a lembrar-se de novo dela?» e ficou-lhe um aperto no peito ao pensar naquela história que poderia ser algo mágico e não passou de um sonho, que terminou mal... muito mal por sinal. Isso fê-la lembrar daquilo que ela a tinha feito sentir. a Raiva, a mágoa, a angustia, o desespero, a revolta que sentiu... Aumentou o volume da musica para que esses sentimentos voassem aos som das batidas fortes da melodia.... o sol teimava em confrontar-lhe o olhar. Colocou os óculos escuros, e foi nesse instante que sentiu as lágrimas correrem-lhe pelo rosto, incrontrolaveis. Queria suster aquele choro compulsivo mas não conseguiu... e deixou então que escorressem aquelas ultimas lágrimas para afogar de vez aquele amor que ainda sentia por ela. «Seria a ultima vez»...pensou A chegada ao destino aproximava-se e aquele aperto estranho que sentia desde que saiu de casa cada vez mais se intensificava. Parecia que algo lhe iria acontecer, mas não quis dar grande importancia a isso. Sentia um nervoso pelo corpo todo, as mãos suadas e o coração acelerado. Voltou a vir-lhe a memoria Ela. Lembrou-se da primeira vez que se viram, era tudo tão idêntico... as borboletas na barriga. O medo do desconhecido. Já não pensava nela assim, há mais de seis meses. Não estava a entender os sinais que estavam a surgir.... Por fim chegou a sua terra natal e olhou pela janela na esperança de ver alguém, o alguém que ocupara os seus pensamentos durante toda a viagem.... mas logo se perdeu esse entusiasmo, e num suspiro doce, pegou nas suas coisas e saiu... O frio voltava.se a sentir. E a vontade de ir directamente para casa não era nenhuma. Gostava destas alturas do ano. Sentia Saudades da sua Família. Da sua Cidade. Mas naquele momento apetecia-lhe ir vaguear pelas ruas, cobertas de neve. O frio que se fazia sentir servia-lhe de escape para afugentar os pensamentos longínquos. E de mala vermelha a rolar pelo chão e de carteira a tira-colo. Decidiu uma vez na vida seguir os instintos dela. De sorriso na cara. Sentia-se leve. Aquele ataque de choro tinha lhe feito bem. «As saudades».... pensou ela, «essas hão-de passar com a ajuda do tempo.... » ainda não tinha terminado o seu pensamento quando ouve alguém chamar o seu nome... Mas não de uma forma vulgar... Daquela maneira que só aquele Alguém o sabia fazer... Só com a voz daquele alguém... que tinha outro sabor....
Lentamente se virou para trás... e quando os olhos se encontraram, as borboletas, a sensação de desmaio, os calores, o nervoso pelo corpo voltou-se a sentir... Era Ela... Sorriu, e o brilho do seu sorriso era especial. Correram uma para a outra, sem ressentimentos, sem pensar no que as tinha feito afastarem-se... A energia que tinham uma pela outra era mais forte, e abraçaram-se, tão fortemente que o mundo pareceu parar naquele instante... Sentiu-se segura. Tão leve. Tão estranha. Sentiu-se de novo Feliz! Aquela voz Trazia-lhe tanta Paz...
e pensou que toda a ansiedade que sentiu desde que acordou tinha um propósito...

O destino voltara a junta-las...
Provando que há amores que nunca morrem....
E que há Natais Especiais... »


texto de Candy

3 comentários:

intimidades disse...

lindo

Beijos
Paula

AindaTeAmo disse...

Emocionei-me. Tão lindo! Obrigada por me teres feito sonhar por uns minutos. :-)

quanto pesa o vento? disse...

adorei!
aplausos.
despeço-me com uma vénia a ti.
abraço.