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“Difícil não é lutar por aquilo que se quer, e sim desistir daquilo que mais se ama.(...) » Bob Marley

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Encontro Especial


"Um Compasso afinado do piano velho. Uma nota tocada imperfeitamente bela. Um Sopro leve da brisa fresca. Uma gota suave da chuva fria. Um perfume forte e marcante. Um andar constante e assertivo. Um olhar verde desconcertante. Uma pele brilhante e jovem. Um sorriso transparente. Um Gesto nervoso. Um cabelo escuro e solto. Um corpo definido. Um vestido cintado. Uns sapatos elegantes. Um Casaco de malha. Uma pulseira dourada.

Um relógio antigo de parede
Um Café requintado.
Um Cheiro a chocolate quente no ar.
Uma espera perturbante.

As mãos a tremer, os olhos controlam o relógio de pulso de 5 em 5 minutos, perna traçada, o pé direito a bater inconscientemente no chão, um cigarro que parece interminável, um olhar fixo pela janela.

Esperava Alguém

Observei-a enquanto lia a o jornal. Os Seus olhos brilharam enquanto ela se aproximava. Eram mais do que queriam mostrar... notava-se somente pelos olhares cúmplices, e pelos sorrisos nervosos que iam transmitindo ao longo da conversa. Levantaram-se apressadas, e ao sair da porta, sem que ninguém notasse, trocaram um beijo na face. Observei-as enquanto desciam a rua pelo passeio, e ao virar a esquina trocaram as mãos esquerdas, com uma intensidade que parece que o chão tremeu naquele momento (ilusão minha, bem sei) pensando que ninguém as visse a trocar o amor que naqueles corpos se queria soltar e gritar ao mundo mais do que realmente podia, ou queriam.
Segui-as com o olhar até as perder de vista e continuei a construir a história daquele amor na minha cabeça. Pareciam tão felizes. Tão seguras do que cada um levava nas mãos...
o amor... a cumplicidade... e a união...

Revi-te naquela pureza única

Senti aquele toque, como se fosse o teu toque doce e delicado
Quis seguir os seus passos apressados e desconsertados
...
Mas soube que não era eu, não era para mim. Aquele amor nunca teria sido o meu.
Ansiei ver nelas o nosso amor, que fosse eu... e fosses tu,... que aquele encontro tivesse sido algum dia o nosso...
Fiquei a remoer naquela nostalgia durante algum tempo. Mais tempo do que deveria confesso. A empregada deixa cair um chávena e acordo da minha ilusão... Olho pela janela. Já se fez noite e nem dei pelas horas passarem. Agarro o meu casaco e a minha carteira. E Sigo rua abaixo.A sentir o frio que a época Natalicia traz sempre. E sorrio por ainda haver amores eternos... mágicos.
E pensei enquanto descia a rua iluminada: um dia hei-de encontrar o meu... " Texto de Candy

5 comentários:

Balada da minha Alma disse...

Candy,

agora fizeste-me sonhar...e acreditar :)

S* disse...

Gostei dos pormenores... do relógio, do compasso de espera. Faz parte esperar pelo amor... e saber fazê-lo.

Daniela Ramos disse...

Acreditar em belos momentos :) *

um quarto para duas disse...

Lindo! Senti-me dentro da história, como se estivesse lá!

Nokas disse...

É óptimo ler um texto destes :)